Atletas sem apoio de marcas e patrocinadores

A questão em jogo aqui não é avaliar a capacidade dos esportistas, mas sim a importância da relação entre esporte, patrocinadores e atleta.  Você já reparou o poder que grandes marcas exercem diretamente em vários esportes? Futebol masculino, Volleyball, Basquete, Futebol Americano, Fórmula 1, Ciclismo, Olimpíadas, Copa do Mundo…dentre centenas de outros esportes que poderiam ser populares. Onde existe público em massa, quando você menos espera exitem uma ou várias marcas ao redor patrocinando. Nesses cenários encontramos atletas em seu ápice da forma física diante dos mais altos níveis de competição, sem dúvidas que o retorno de imagem e visibilidade para  esportes de alto rendimento ainda é o negócio ideal para as marcas não só pelo alcance que ele gera, mas a partir da forte exposição da mídia de massa. Nesses casos o esportista já está “pronto” – fase de maturidade profissional e com sua imagem consolidada e as marcas que os apoiam e patrocinam também. Mas para chegar ao nível de “pronto”, precisam de apoio, incentivo e suporte financeiro….até aqui nada de novo, diante de grandes esportistas que alcançaram o sucesso é a fama, cada qual com sua trajetória de vida, encontramos vários cases fantásticos de sucesso. Dentre os mais diversos esportes encontramos vários exemplos de superação e determinação. Agora quando o assunto são as fases iniciais desses atletas, onde muitos ainda não são revelados, pouquíssimas são as grandes marcas que apostam em esportistas considerados amadores iniciantes. Para esses casos o mais comuns ainda são de pequenas marcas que investem e dão um start para o futuro profissional e quase sempre para os que conseguem o sucesso muitas dessas pequenas acabam ficando para trás – substituídas por altos investimentos de patrocinadores e marcas maiores. Está aí uma oportunidade para não só acreditar, mas estimular jovens e futuros profissionais, uma realidade de investimento infelizmente ainda muito distante e que por falta de incentivos deixamos de conhecer e reconhecer verdadeiras joias. Grandes talentos acabam desistindo de seus sonhos principalmente por falta de incentivos bem como a falta de suporte quando sofrem lesões, e quando refiro-me a incentivos não basta o suporte financeiro.

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É preciso investir e direcionar para criar estruturas adequadas e disponibilizar de profissionais que possam ser referência para aprimorar os aspectos físicos: que vão desde nutricionistas, médicos, preparadores, entre outros. Com todo suporte a sua volta, atletas amadores terão muito mais oportunidades de alcançar a maturidade e melhores resultados. Essa é uma realidade distante, que cresce a passos lentos. A oportunidade de acreditar e investir em um novo talento pode aliar a melhoria da imagem da sua marca: dois pontos distintos que podem percorrer um mesmo caminho: patrocinador e atleta. O patrocínio é o sonho de todo atleta, serve como um start, estímulo e incentivo principalmente aos que estão iniciando: acreditar é patrocinar e patrocinar é acreditar. O patrocínio pode despertar ao consumidor experiências como presenciar valores e benefícios de produtos e atributos da marca.  Uma excelente estratégia para aproximar produto e público é vincular a sua marca a imagem de um atleta, e para isso é que existe o marketing esportivo.  Quando bem elaborado pode oferecer através de canais distribuições: convites para eventos patrocinados, distribuição de brindes, sorteios, promoções e campanhas. O patrocínio esportivo é uma de suas ferramentas diretamente ligado com as Relações Públicas da empresa, podendo  trabalhar com sua imagem e a percepção que o público tem de si.  A vida de um atleta brasileiro, principalmente o amador não é fácil: basicamente estudar, trabalhar e treinar quando tiver tempo livre de preferência, quando for participar de um campeonato quase sempre tira dinheiro do seu próprio bolso. Com tantas dificuldades não podemos esperar um desempenho favorável, logo ele desiste do esporte, devido à falta de resultados. O atleta necessita de um mínimo de estrutura: suplementos, de tratamentos médicos, acompanhamento técnico para possíveis lesões, materiais (roupas, tênis matérias de segurança do esporte específico), o que torna tudo muito caro, sem falar em passagens, hospedagens e inscrições para campeonatos. No Brasil. O skate é um caso clássico que só foi profissionalizado no fim dos anos 90, que ainda nessa época nem era considerado esporte, graças a atletas que resistiram a tantas barreiras. Quando em países de primeiro mundo como os Estados Unidos essa categoria de esporte já havia se profissionalizado muito antes. Graças a algumas marcas esse esporte conquistou com muita dificuldade espaço e mercado no Brasil.

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Marcas como: Crail, Powell Peralta e Bones (mesmo grupo), Urgh!, Plancton, Variflex, Sims, Narina, Bullet, Vision Street Wear, Hosoi (marca do skatista Christian Hosoi), Santa Cruz, Lifestyle e Indepentent são alguns dos exemplos que investiram forte em revelações do skate pelo Brasil, não apenas como patrocínio, mas como produtos utilizados pelos atletas em uma época que não era considerado esporte. Após décadas o skate cresce de uma forma tão forte que inclusive entra para o esporte Olímpico em Tóquio. Abaixo alguns exemplos de shapes que fizeram sucesso, graças a empresários que acreditaram nesse esporte.

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Abaixo dois grandes skatistas da década de 80 e 90: Sérgio Negrão e Lincoln Ueda, verdadeiros heróis da resistência que assim como uma centena de outros destaques conseguiram se destacar em campeonatos nacionais e internacionais em uma época que não era considerado esporte, enfrentaram barreiras, inclusive quem praticava na época levantava a bandeira: “Skate is not a crime!”

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Outro caso clássico no Brasil é o Surf onde atletas também resistiram a enormes barreiras e graças aos seus patrocinadores conquistaram espaço e maior visibilidade. Abaixo algumas das principais marcas que apoiaram e apoiam a categoria.

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Marcas como: Mormaii, Sundek, Genesis, Op, Body Glove, Lighting Bolt, Hang Loose, Quicksilver, Stanley, Bz e Hawaian Dreams (HD) dentre outras apoiam surfistas em eventos, materiais e patrocínios direto aos atletas.  Abaixo mais dois exemplos de heróis da resistência no Surf da décadas de 80 e 90,  esportistas como a atual jornalista Glenda Klozlowski e Teco Padaratz conquistaram resultados e títulos importantes.

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Surf e skate criaram modismos, passaram a comandar tendências, forte inspiração e estilos de vida por toda uma enorme geração desde a década de 70 até hoje. Inspiração para milhares de jovens que passaram a adotar e curtir. Abaixo a jogadora Marta do Futebol Feminino, atleta da seleção brasileira e eleita 5 vezes a melhor jogadora do Mundo pela Fifa: mesmo diante de tanto reconhecimento internacional não existe um planejamento e preocupação em investir nesse esporte e categoria feminina no país.

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Abaixo o BMX em suas diversas categorias: outro esporte que apesar do crescimento está longe de receber investimentos ideais.

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O tênis, considerado ainda um esporte de elite também resiste a dificuldades de patrocínio e incentivos a atletas brasileiros, mesmo com toda visibilidade da tenista Maria Esther Bueno e Gustavo Kuerten. O Handball, Futebol Feminino,etc…podemos listar diversos os esportes que ainda resistem sem investidores. Está aí uma lacuna enorme de oportunidades que pode ser preenchidas tanto por pequenas como grandes marcas, não somente de forma assistencialista ou caridade. Inicialmente e sem planejamento para as marcas essa forma de patrocínio não necessariamente vá gerar altas de vendas ou mesmo maior visibilidade. Certamente irá ajuda a transmitir uma enorme imagem de responsabilidade social, e com assim promover e incentivar marcas a vincular valores como: saúde, bem-estar, inclusão, acessibilidade, empoderamento e o principal: prestigiar novos talentos.Ainda inicialmente é possível incentivar com um vínculo menor, formar parcerias entre marcas e atletas com despesas para o campeonato como: passagens, hospedagens, suplementos e materiais esportivos muitas, mas isso é uma grande ajuda para quem buscar estar entre os primeiros. Lojas de materiais esportivos podem fazer permutas para facilitar ainda mais. Um planejamento estratégico bem elaborado aproxima a relação de investimentos entre marca cliente e consumidores, além disso, pode proporcionar:

  • a realização e viabilização do projeto;
  • geração de mídia espontânea;
  • aproxima empresa x cliente;
  • fideliza empresa e cliente;
  • gera uma experiência real;
  • divulgação e fixação da identidade da marca;
  • promove dos produtos e serviços;
  • gera propósito para a marca;
  • agrega valor ao cliente;
  • agrega valor a marca;
  • aumenta suas receitas;
  • movimenta as economias locais;
  • gera empregos e renda para muitas pessoas.

O investimento em patrocínio esportivo quando bem elaborado pode gerar uma série de vantagens em incremento de vendas, que através de uma corporação, entidade pública ou privada podem formar um atleta ou  equipe com o intuito de atingir público e mercado específico podendo gerar vantagens como:

  • incremento de vendas;
  • melhora de imagem;
  • visibilidade de atleta e marcas;
  • simpatia do público.

Tudo isso sem intervir diretamente na essência, proposta e metas da categoria de esporte atleta. O fator investimento para esse segmento pode ser uma aposta não somente para pequenas marcas, mas sim, para grandes que deveriam cada vez mais entrar nesse universo de atletas e jogadores amadores. Uma ótima oportunidade são as leis de incentivo ao esporte que segundo o site oficial do Governo Brasileiro http://www.esporte.gov.br : A Lei de Incentivo ao Esporte – Lei 11.438/2006 – permite que empresas e pessoas físicas invistam parte do que pagariam de Imposto de Renda em projetos esportivos aprovados pelo Ministério do Esporte. As empresas podem investir até 1% desse valor e as pessoas físicas, até 6% do imposto devido. Além da lei federal, direcionada para pessoas físicas e jurídicas, alguns estados e municípios dispõe de mecanismos próprios de incentivo, em geral envolvendo, respectivamente, descontos no ICMS e no IPTU e ISS. As condições e benefícios variam caso a caso, mas infelizmente no Brasil essas vantagens para incentivar novos atletas quase não são divulgadas, as informações não são incentivadas. Esse comportamento de indiferença a incentivos reforça que o Brasil mesmo sediando Copa do Mundo em 2014 e Olimpíadas em 2016 ainda está longe do ideal em incentivos aos atletas e esportistas amadores, lamentável. Por outro lado outro fator que contribui para que os incentivos não viabilizem são as constantes recessões em que nosso país enfrenta. O Brasil é banhando pelo Oceano Atlântico, sua extensão litorânea privilegiada corresponde 7.408 km (uma das mais extensas de todo o mundo), porém, não desenvolvem esportes como: Windsurf, Kitesurf e o Remo.

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Cabem as marcas se envolver em esportes vinculados a sua imagem e público, isso facilitará as coisas, além de economizar tempo. Investir em esporte é incentivar jovens a se tornarem cidadões de bem, além do estímulo em vencer na vida, tornam-se cidadãos de bem longe da violência e drogas, referências para crianças e adultos, ainda mais em um país com tantos problemas sociais como no Brasil. E você? E a sua marca? Independente da força e tamanho que exerce no mercado, acredita e incentiva o esporte amador? Imagina o quanto podem crescer juntos? Acredite, atleta é uma profissão que não só deve, mas merece ser mais valorizados no Brasil.

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