AS MARCAS DIANTE DO CONSUMO RESPONSÁVEL

Diante de uma cultura capitalista a sociedade contemporânea apresenta como característica principal a aceleração do tempo onde somos constantemente estimulados a consumir. Através dos principais meios de comunicação como a TV, cinema, internet, rádio, outdoors e jornais a todo instante estimulam e provocam o cliente a sempre comprar mais. O  consumidor de hoje  é cada vez mais exigente e decidido, porque está vez mais informado e conectado e ao mesmo tempo vulnerável pelas tentações do mercado. Diante desse perfil  é preciso parar e analisar o que é prioritário ou supérfluo atraídos  por produtos e valores tentadores.  Muitas marcas adotam a estratégia de criar necessidades que nem sempre são prioritárias, do outro lado temos o cliente que consegue viver muito bem sem excessos, mas muitos acabam não resistindo. Com o avanço dos  meios de comunicação bem como o ritmo de trabalho mais acelerado o consumidor de hoje recebe muito mais informações, tem um ritmo de vida mais agitado e com isso acaba sendo atraído pela cultura dos excessos, pelo consumo por impulso exacerbado e acrítico. Essa sociedade é chamada por Lipovetsky (2007) de hipermoderna, pois tudo se configura em dimensão hiper: o hiper-individualismo, o hiper-nacizismo, o hiper-consumismo, o hiper-apressamento.  A mudança nos hábitos de consumo deve partir não só da educação dos consumidores, cabe as marcas também adotar estratégias de apresentar e orientar mudanças de hábitos e comportamentos para seus clientes – e saem na frente marcas que adotam a estratégia de se adaptarem a esse perfil de cliente.

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Contrário a esse ritmo acelerado surge os Movimentos Slow’s ou Devagar onde sustentam que é possível viver melhor a fim de retomar o equilíbrio das ações e atitudes nas atividades do cotidiano e de consumo. . O movimento Slow tem raízes na Europa, um estilo de vida onde é possível consumir, fabricar e trabalhar em rimo mais razoável e através de uma forma mais racional e moderada além de ter mais consciência dos produtos que consome, propõe um estilo de vida vinculado ao descarte responsável dos produtos. Esse movimento ganha cada vez mais força internacional e conta com número significativo de adeptos e simpatizantes, distribuídos em diversos países com destaque para: Estados Unidos, Japão e Brasil. Está ligado a segmentos de consumo como : slow fashionslow foodslow beauty, slow sex, slow cities, slow turism, entre outros. Para isso é necessário mudar os hábitos: como a redução do consumo de produtos industrializados, substituindo-os  por produtos naturais e orgânicos.  Através de movimentos como o Slow o cliente busca formas equilibradas de existência que atendam seus anseios psicológicos através de uma economia de comunhão, economia solidária, turismo comunitário e alternativo, na tentativa de encontrar formas equilibradas de existência que satisfaça aos anseios psicológicos. Marcas que saem na frente se adaptam a essa tendência e orientam seus clientes a melhor forma de como seguir esse estilo de vida. Com essa maior percepção do posicionamento das marcas surge o Consumo Consciente, que, em resumo, é comprar ou utilizar bens, alimentos e recursos naturais sem exceder a quantidade necessária para sobreviver – com isso evita o desperdício. Além disso diante do consumo consciente o cliente está cada vez mais interessado por empresas que praticam o desenvolvimento de forma sustentável, ambiental e econômica e para isso seguem os seguintes critérios:

  • conhecem e se informam a respeito dos ciclos de produção do produto.
  • buscam informações sobre a origem;
  • buscam informações sobre a origem da qualidade da matéria-prima;
  • pesquisam se a mão de obra envolvida está sendo remunerada de forma justa;
  • priorizam por marcas ecologicamente corretas;
  • repudiam marcas que são adeptas ao trabalho escravo ou infantil;
  • repudiam marcas que utilizam animais como testes ou como matéria prima de seus produtos.

De acordo com o Índice de Confiança do Consumidor (ICC), 51,4% dos brasileiros acreditam que consumir conscientemente trata-se de refletir sobre as consequências de uma compra antes de concretizá-la, considerando todos os seus impactos. Dada uma escala de 1 a 10, 84,94% das pessoas ouvidas atribuíram nota entre 8 e 10 para a importância do tema. Clientes 67,9% (classe C/D/E) e 54,4% (classe A/B) sempre dão preferência a produtos cujas embalagens são recicláveis.
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O aplicativo Moda Livre, criado pela organização não governamental brasileira  Repórter Brasil, avalia o comportamento das principais marcas de roupas varejistas que atuam no Brasil. Fundada em 2001 em São Paulo por jornalistas, educadores e cientistas sociais , a organização é referência nacional no combate ao trabalho escravo, na promoção do trabalho decente e na defesa dos direitos ambientais. A organização tem duas áreas principais de atuação que reúnem todos os seus projetos: Jornalismo & Pesquisa e Metodologia Educacional. Disponível para Android e iOS, o aplicativo mostra o comportamento que as marcas têm adotado para evitar que suas roupas sejam produzidas por mão de obra escrava. Para isso, os criadores convidaram as principais empresas do país – inclusive aquelas que já foram flagradas usando trabalho escravo – para responder um questionário baseado em quatro indicadores, considerando os produtos de origem nacional: políticas, monitoramento, transparência e histórico. Vale ressaltar que as empresas podem trabalhar com produtos importados. Muitas marcas já foram autuadas por usar trabalho escravo ou deixar seus funcionários em condições inadequadas de trabalho, com horários exaustivos e salários baixos – e as redes sociais ajudam a identificar esses casos. Diante dessas informações fica mais fácil fazer compras de forma consciente. O Brasil há muitos anos é recordista mundial de reciclagem de latas de alumínio e um fator de grande influência é o impacto financeiro positivo para os recicladores. Reciclar é contribuir para a economia de recursos naturais, além de diminuir a degradação ambiental. Segue abaixo hábitos que podem ajudar a ser um consumidor consciente, através de simples práticas:

  • Avaliar os impactos ambientais dos produtos que consome;
  • Se informar a respeito da origem e destino dos produtos;
  • Como e por quem foram produzidos;
  • Reutilizar produtos ou bens naturais;
  • Valorizar empresas com responsabilidade social;
  • Separar o lixo comum do reciclável;
  • Fazer a coleta seletiva do lixo;
  • Cobrar dos políticos de todas as esferas ações responsáveis contra exploração humana e da natureza;
  • Evitar acender lâmpadas durante o dia;
  • Utilizar lâmpadas led que são mais econômicas;
  • Reduzir o consumo de energia em horários de pico entre 17:00 e 22:00 horas;
  • Utilizar vassoura ao invés de aspirador de pó;
  • Doar roupas que não usa;
  • Utilizar a quantidade de água necessária na limpeza, no consumo ou para o banho;
  • Acumular roupas para lavar na máquina;
  • Evitar garrafas, canudos e copos de plásticos, priorizar vidro.
  • Utilizar eletrodomésticos que funcionem com baixo consumo de energia;
  • Utilizar sacolas retornáveis , bolsas ou caixas em supermercados;
  • No ato da compra de eletrodomésticos, considerar o consumo de energia elétrica orientando-se pelo selo Procel;
  • Reutilizar produtos e embalagens;
  • Propagar o consumo consciente.

Quando o assunto é a compra através do crédito o cliente precisa avaliar se é possível deixar para depois o que você quer comprar agora, evitando o consumo supérfluo. Caso esteja em dúvida o cliente precisa analisar se está preparado para assumir dívidas referente as futuras prestações  (com as latas taxas de  juros que o nosso mercado nacional cobra) sem comprometer as demais despesas mensais, se ainda assim ainda resta alguma dúvida precisa avaliar o grau de necessidade de adquirir o que está sendo oferecido. As principais tentações para esses clientes são as estratégias que as marcas adotam no lançamento de um produto, nas promoções ou queima de estoques – mas nem por isso devem perder o controle dos seus limites de consumo. Em contrapartida a esse perfil existem  ações como valorizar as iniciativas sócio ambientais das empresas, e o  consumidor consciente tem o poder de influenciar e ser um agente transformador da sociedade através dos seus atos de consumo, disseminando o conceito e a prática do consumo consciente. O cliente se informa sobre qualidade e preço, claro, mas também busca informações sobre processos e cadeia de produção da marca que consome – a sua procedência. Além disso, campanhas mundiais como o Make Trade Fair promovem a igualdade no comércio entre países de primeiro mundo e países subdesenvolvidos e qualquer pessoa pode se cadastrar no site, comprar camisetas ou enviar mensagens à governantes para que a causa seja ouvida. Em todo o mundo já são mais de 19 milhões de pessoas cadastradas.

000 makeO consumo sustentável esta em alta nos países emergentes e deveria ser orientado em países menos desenvolvidos. Através de pequenas ações realizadas por um número muito grande de pessoas conseguem promover grandes transformações. Buscam o equilíbrio entre a sua satisfação pessoal e sustentável, maximiza as consequências positivas e minimiza as negativas através de seus hábitos de consumo. Para isso dão preferências as marcas que mais se empenham na construção da sustentabilidade por meio de ações cotidianas. Abaixo um interessante vídeo chamado ” Story Stuff ” – define todo o ciclo desde a sua extracção através da venda, utilização e eliminação, todas as coisas em nossas vidas afeta comunidades em casa e no exterior, mas a maior parte desta está escondido da vista. The Story of Stuff é de 20 minutos, rápido olhar, cheio de fato na parte inferior dos nossos padrões de produção e consumo. The Story of Stuff expõe as conexões entre um grande número de questões ambientais e sociais, e nos chama juntos para criar um mundo mais sustentável e justo. Ele vai ensinar-lhe alguma coisa, ele vai fazer você rir, e ele só pode mudar a maneira como você olha para todas as coisas em sua vida para sempre.

Consumir menos é ter um custo de vida mais baixo sem comprometer a qualidade de vida e também tem a ver com consumir melhor e de forma mais consciente: tudo está diretamente ligado ao crescimento sustentável. Essa mudança de hábitos o consumidor evita o desperdício,favorece não só aos atuais consumidores, mas sim para as próximas gerações e ao planeta. Qualquer pessoa pode multiplicar informações, valores e práticas do consumo consciente. Sozinho ou em grupo pode sensibilizar os demais consumidores.

 

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