Duas grandes marcas mundiais diante da rivalidade entre irmãos

Na década de 20, em uma pequena cidade alemã de Herzogenaurach com pouco mais de 23 mil habitantes os irmão eram sócios da empresa Dassler Brothers Sports Shoe Company. Adolf e Rudolf Dassler já estavam de olho em segmentação em uma época em que esse termo não existia, iniciaram então a fabricação de tênis específicos para a prática esportiva em sua própria casa.

a fabrica

Cada qual com a sua habilidade: Adi, como era conhecido Adolf, era quem desenha e desenvolvia os sapatos, já Rudi era o responsável pelas vendas. O resultado foi o sucesso foi imediato de seus calçados e poucos anos depois os irmãos já estavam fazendo encomenda para diversos atletas consagrados. Foi então que tiveram uma visão interessante: em uma jogada estratégica e bastante ousada, os irmãos convenceram o favorito atleta norte-americano Jesse Owens a usar uma sapatilha criada pela dupla. O retorno foi ótimo: o atleta faturou 4 medalhas de ouro na Olimpíada de Berlim em 1936 e impulsionou mundialmente o sucesso da marca. Abaixo em 1936 o atleta medalhista Jesse Owens e as sapatilhas feitas por Adolf Dassler – o formato e os cravos favoreciam as arrancadas.

1936 Olympic Games. Berlin, Germany. Men's 100 Metres Final. USA's legendary Jesse Owens on his way to winning one of his four gold medals.

No entanto, o fato do atleta Owens ser negro e ter batido atletas alemães, irritou demais Adolf Hitler que assim que a Segunda Guerra Mundial teve início começou a perseguir a dupla e mandou confiscar a fábrica da família. Ao fim da guerra os irmãos conseguiram voltar as atividades, porém a relação não era mais a mesma. As indiferenças entre relacionamentos familiares, principalmente entre suas esposas e pontos de vista diferentes de como gerenciar seus negócios resultou na separação da dupla após 28 anos juntos e na divisão de uma empresa que rumava a liderança comercial na época. Resolveram seguir o mesmo mercado, porém, rumos e estratégias diferentes tornarando-se ávidos rivais. Cada um montou a sua fábrica na cidade que nasceram e a rivalidade entre os irmãos chegou a dividir os habitantes da região cerca de 60 anos. Adolf criou a Adidas, junção de seu apelido (Adi) com o sobrenome Dassler, já Rudolph criou a Ruda, junção das iniciais de seu nome e sobrenome, mas posteriormente mudou para Puma, pois acreditava que esse nome soava mais atlético.

dassler-bros

Cada uma das fábricas foi construída em lados opostos da cidade de Herzogenaurach e o sucesso de ambas as marcas foi tamanho que ambos geraram diversos empregos aos moradores da região. Com isso a disputa e rivalidade entre os irmãos refletiu também em seus funcionários dividindo opiniões da população. Herzogenaurach chegou a ficar conhecida como “a cidade dos pescoços tortos”, já que os moradores olhavam primeiro para os sapatos da outra pessoa antes de iniciar uma conversa.

adidas fábrica

Conforme as habilidades de cada irmão, com o tempo adotaram estratégias diferentes que se destacaram no mercado: Adi foi responsável em oferecer a marca Adidas uma grande qualidade técnica e era diretamente responsável pelas principais inovações do mercado, já o rimão Rudi e sua equipe comercial conseguia ter maior êxito na área de vendas e de marketing. Entre uma disputa de irmãos a marca de Rudi foi responsável pelo primeiro patrocínio a um atleta quando venceram o braço de ferro com sua rival e convenceram Pelé a fazer merchandising da marca Puma durante a Copa de 1970, a primeira a ser televisionada em cores.

pelé

A competição e disputa entre grandes marcas nos esportes ultrapassam as linhas dos campos e pistas. Cada vez mais geram cifras milionárias e desavenças dentro e fora das disputas.  Quando o assunto é marca o assunto amplia horizontes ao  associarmos  seus conceitos e vantagens em estar patrocinar no esporte. Ter um astro de futebol vestindo suas roupas e  participando de campanhas da marca gera retorno e muito mais visibilidade para a marca patrocinadora. Com toda a mídia e os diversos canais de comunicação a relação entre marcas e ídolos do esporte pode gerar um sucesso mútuo, que projeta e fortalece ambas as  partes. Essa relação entre marcas e atletas  mexe diretamente com a paixão pelo esporte: aumenta a  paixão do torcedor pelo esporte e ídolos,  torna-se  ainda mais consumidor dos produtos  e serviços. Uma das primeiras polêmicas geradas entre disputa de marcas como patrocinadores ocorreu na Copa do Mundo de 1974 na Alemanha envolvendo o famoso time da Holanda , mais conhecido como o “Carrossel Holandês” e seu principal craque, Johan Cruyff. O craque da camisa 14 era um dos mais badalados da época e recebia um belo contrato de patrocínio da PUMA . Foi então que iniciou-se uma das maiores polêmicas e disputas polêmicas entre fornecedoras e atletas.

johan-cruijff

A seleção da Holanda da época utilizava matérias esportivos fornecidos pela Adidas e, mesmo proibida de estampar logomarcas nas camisas de jogo, criou as três listras que saem do ombro e vão até a ponta das mangas para diferenciar o seu material – uma tradição da marca que até hoje diferencia-se das demais em quase todas as roupas que vende. As três listras da Adidas são inconfundíveis, tal como o trevo de três folhas, símbolo criado em 1972 e retirado em 1996, depois do surgimento do novo logo das três barras. 

holanda-tapa

Por questões contratuais, Johan Cruyff negou-se a vestir o uniforme holandês  e fazer propaganda de graça para a principal rival comercial de seu patrocinador. O jogador simplesmente retirou uma das listras dos ombros da camisa e com isso, eternizou como histórico e personalizado a camisa 14 holandesa da Adidas – ele foi o único atleta do Carrosel Holandês a jogar com um uniforme que tinha apenas duas listras na lateral. Essa foi a solução encontrada pelo jogador  para amenizar  polêmicas e atritos envolvendo as duas marcas.

belfast

Até hoje modelos retrôs de uma das melhores seleções e um dos maiores craques de todos os tempos comercializam a camisa 14 com apenas duas listras. . Assim como aconteceu durante toda a vida, os irmãos Dassler não se reconciliaram e inclusive foram enterrados no mesmo cemitério, mas em lados opostos o mais longe possível um do outro. Essa rivalidade entre irmãos e marcas só teve fim quando no ano de 2009 funcionários da Puma e Adidas realizaram uma partida amistosa de futebol. A participação da Nike no mercado dominando grande parte da fatia e demais concorrentes contribuiu para amenizar e polarizar a disputa entre as duas marcas alemãs. Adidas e Puma: uma rivalidade entre duas das marcas mais conhecidas do mundo que foi além da competição empresarial.

 

rubrica1

 

 

Anúncios

3 comentários sobre “Duas grandes marcas mundiais diante da rivalidade entre irmãos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s