As variáveis e desafios que determinam o perfil da Classe B

Em meio a tantas crises e instabilidades financeiras no Brasil, está aí duas classes difíceis de serem definidas: B e C. A população está em constante migração de uma classe para a outra devido as ameaças e oportunidades.  Segundo o Ibope Inteligência (2016) a Classe B representa 40% do potencial de consumo brasileiro e com renda aproximada de R$ 10 mil. Os consumidores da classe B  sempre priorizaram a qualidade do produto em prol do preço, agora estão revendo seus critérios e preferências. É o que aponta pesquisa sobre hábitos de consumo dos brasileiros realizada pela Fecomercio-RJ, em parceria com o Instituto de Pesquisa Ipsos Juntamente com a Classe  A, segundo o levantamento, 76,3% dos entrevistados das afirmam que o preço é um fator determinante na decisão de compra — em 2013, apenas 67,7% faziam essa ponderação. Mesmo assim, a qualidade do produto ainda é fator decisivo para esses consumidores. São mais fiéis a certas marcas, mas nem por isso deixam de observar os concorrentes, seus diferenciais e valores. São menos impulsivos na escolha de um serviço ou produto, reforçam a preocupação com o valor agregado e a qualidade do produto. Segundo o Ibope Inteligência (2016), as marcas e lojas de departamentos preferidas da classe Classe B são:

Vestuário Feminino: Mercatto, Renner e Riachuelo.

Vestuário Masculino:  Luigi Bertolli, Renner e Colombo.

Calçado Feminino: Pixole, Passarela e Gabriela.

Calçado Masculino: Pontal, Humanitarian e World Tennis.

Artigos Esportivos: Paquetá, World Tennis e By Tennis.

Artigos Infantis: Havan, Alfabeto e Pernambucanas.

Cama, Mesa e Banho: Seller, Pernambucanas e Havan.

Eletrodomésticos: Pernambucanas, Carrefour e Lojas Cem.

Segundo dados do SEBRAE, em 2011, a classe B seria responsável por 42% do total de R$ 136 bilhões gastos com moda no país. Devido aos fatores financeiros, a Classe B está próxima de preferências da Classe A e também estão antenados nas preferências da Classe C. Esse perfil de cliente consome marcas onde ele possa seguir as tendências da moda de forma rápida e acessível. Apesar da grande maioria desse perfil de consumidor ser fiéis a certas marcas, eles estão cada vez mais atraídos pelo consumo das chamadas segundas marcas, mais conhecidas como “talibãs” – as que não são líderes de mercado mas oferecem valores atrativos e qualidade em muitos casos. Esses números chegam a 30% de todo o mercado, a informação é de Sussumo Honda, Presidente da Associação Paulista de Supermercados (Apas). Estas marcas custam, em média, 20% a menos que as líderes e estão ganhando mais clientes a cada dia, depois de já terem conquistado, há tempos, as classes C. As marcas com mais status,  preferidas pela Classe B rapidamente identificaram essa mudança de escolha na hora da compra e muitas oferecem descontos e ou condições de compra mais atraentes a fim de manter seus clientes, e mesmo com as vantagens o público B continuam migrando para marcas talibãs. Isso deve-se a um fator determinante: eles compram segundas marcas porque o padrão de qualidade desses produtos está cada vez melhor – querem qualidade aliada ao preço. A classe B tem um perfil definido para alguns hábitos:

  • Não deixam de jantar fora durante a semana;
  • Cresce consideravelmente o número de passageiros voltados ao turismo e negócios em viagens internacionais;
  • Investem mais em educação privada;
  • Investem em plano de saúde;
  • Investem em TV e serviços por assinatura;
  • Investem em planos de telefonia.

Alguns pontos podemos destacar: poder de compra aliado a condições facilitadas e poder de barganha influenciam diretamente e com isso o número de venda em todos os segmentos se destacam: os automóveis estão entre a preferência de consumo desse perfil de cliente e aumentaram a procura nas últimas décadas, em contrapartida o desembolso com o transporte público diminuiu. A classe B também tem um comportamento mais homogêneo, porque está há mais tempo no mercado de consumo. As famílias já tem tevê, mas querem trocá-la por outra, assim como tablets e celulares – totalmente antenados pelas novidades da technologia. Entre as opções de compras estão o consumo pela internet e o hábito de frequentar os Shopping Center, o foco principal desse público: oito grupos detêm quase um terço dos Shoppings no Brasil, diretamente voltados a esse público. Abaixo, algumas das principais Redes:

grupo Shoppings

Em tempos de aperto financeiro as marcas femininas de fast fashion oferecem produtos por preços menores (sem perder a qualidade) para atrair o consumidor e apostam em crescimento. Preferidas pela Classe C, as lojas de departamentos também estão de olho nesse perfil de público: apostam em qualidade a fim de conquistar ainda mais a fatia de mercado do público B. Quando o assunto é supermercado e itens básicos encontramos a preferência pelos atacarejos  – mistura de atacado e varejo, estão entre as opções de compra em grande maioria desse perfil de público, diferente de consumidores com menos renda e os empreendedores que são minoria nessas lojas. Os atacarejos têm a proposta de vender alimentos, itens de higiene e limpeza com preços mais em conta do que nos hipermercados e em maiores quantidades – concorrentes direto das grandes redes de supermercados e os chamados hipermercados. Inicialmente, esse tipo de loja atraía predominantemente os pequenos empreendedores, como pizzaiolos, dogueiros, e donos de mercados menores de bairros por exemplo: compravam em grandes volumes de insumos para os seus negócios com preços menores e revender aos seus clientes finais. Com a crise, o atacarejo ganhou força nos últimos anos em relação aos hipermercados e supermercados. Ao contrário do que se supunha, conseguiu conquistar consumidores pessoas físicas, especialmente de maior renda, que vão à loja comprar itens para uso próprio. Para atrair esse público não é tão simples – apesar de pertencer a uma grande fatia do potencial de consumo brasileiro cabe as marcas se reinventarem a cada instante – oferecer diferenciais, valor agregado e surpreender. Ficar de olho nas tendências e concorrência, atrair por preço justo sem esquecer da qualidade. Esse perfil de público tem um grande poder de influenciar nas demais Classes: estão conectados, entram nos canais de atendimento: 0800 e páginas das marcas a fim de comentar as suas indignações de experiência com serviços e produtos ou para elogiar o que consomem. Grandes marcas como a Nike já estão antenadas a esse perfil de cliente e respondem rapidamente nas redes quando o assunto é reclamação – oferecem suporte e assistência – fundamental para manter o posicionamento. E pode acreditar: em pleno 2017 ainda existem grandes marcas mundiais que ao invés de amenizarem ou responderem de forma eficiente preferem responder com falta de respeito aos clientes ou então: nem responder  – mesmo nas redes sociais onde a vitrine é mundial. Está aí uma oportunidade para as concorrentes se fortalecerem.

 

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