Atenção marcas: a terceira idade espera por vocês

A Terceira idade (público sênior) compõe uma das faixas da pirâmide etária que mais cresce no Brasil. O perfil de cliente da terceira idade está entre os que mais valorizam o seu dinheiro: pesquisam muito antes da compra. Supermercado, viagens e moradia estão entre os maiores investimentos. Além de representarem uma fatia demográfica enorme, a terceira idade possui capacidade econômica bem maior que os jovens. A estabilidade financeira é o fator determinante e característico desse perfil de público. Todos sabem a grande dificuldade que existe nos dias de hoje em encontrar marcas que sejam elegantes e confortáveis e adequadas para esse público. Nem todos se lembram que senhoras e senhores também tem glamour, vaidade e saem para eventos – levam uma vida social ativa e em sua maioria afirmam que há poucos produtos voltados para o público de sua idade. A nova terceira idade está mais dinâmica: hoje é muito comum ver pessoas acima dos 60 anos que têm vida ativa: trabalham, praticam esporte, têm vida social ativa e estão no ápice de seu poder econômico. Eles têm suas prioridades: querem curtir os netos, mas sem a dedicação integral de serem responsáveis diretamente pela educação. Só em 2015, haviam 900 milhões de pessoas acima dos 65 anos no mundo todo. Segundo a OMS, até 2050, a previsão é que esse número passe para gigantescos 2 bilhões de pessoas, totalizando um quinto da população mundial. A população brasileira está “envelhecendo” a cada dia. Segundo dados do IBGE:  em 2020 a perspectiva de vida deve chegar em média  a 76,1 anos, e, em 2050, a 81,3 anos . Atualmente são 25 milhões de pessoas e devem chegar a 37 milhões até 2026. Grande parcela dos consumidores idosos tem seus rendimentos condicionados à aposentadoria/ pensão do INSS (73%), tendência que se torna mais acentuada à medida que aumenta a idade dos entrevistados. A pesquisa também mostra que o dinheiro da terceira idade é fundamental na vida de muitas famílias brasileiras: 54% dos entrevistados afirmam ser os principais responsáveis pelo sustento da casa (69% entre os homens). Estimativas do IBGE apontam que, em 2060 (que está logo aí), teremos 19 milhões de pessoas acima de 80 anos. Para se ter uma ideia, hoje temos cerca de 3,5 milhões, ou seja, em pouco mais de 40 anos, a população de “bisavós e bisavôs” aumentará cinco vezes. O crescimento da renda e o acesso à saúde são algumas das causas desse “envelhecimento” populacional. Apartamentos alterados, celulares e cosméticos voltados para o público sênior mostram que este segmento começa a entrar na estratégia das companhias, mas esse é um perfil de cliente que as marcas deveriam dar uma atenção mais especial. esse é um mercado. Uma das principais explicações para a alegada carência de produtos voltados à terceira idade, portanto, está no setor de moda e vestuário. Parece haver uma demanda significativa por roupas que não deixem seus usuários claramente “estereotipados” como idosos, ou que os façam sentir inadequados. A primeira marca brasileira a desenvolver roupas melhores e adequadas para esse tipo de público foi a grife Sharisma, inclusive para portadores de deficiência e idosos. As peças masculinas e femininas foram criadas a partir dos 22 anos de experiências profissionais, especializadas no tratamento e cuidado com idosos portadores de deficiências motoras e psíquicas.

sharisma

A loja Malhas Bruna apesar de não ser totalmente voltada para as mais idosas, é uma opção de compra devido ao seu tecido. Malhas de tricot, algodão, lã, malha fria, entre outros, são os preferidos das senhoras. Um corte diferenciado, aplicações e modelagem moderna conquistam as clientes.

malhas_bruna logoA B-Active  é uma a rede paulistana de academias terapêuticas que oferece musculação, pilates e fisioterapia para o público maduro –  criada pelo médico ortopedista Benjamin Apter. Os aparelhos da B-Active foram fabricados quase artesanalmente. Os sócios buscaram projetos de equipamentos já testados por grupos médicos em centros de pesquisa de universidades de diversos países. As mensalidades variam de acordo com a frequência do aluno, que precisa marcar as aulas com antecedência. Em 2013 a B-Active iniciou a expansão por franquias. Além das unidades próprias, localizadas em Higienópolis e Perdizes, abriu franquias no Ibirapuera, em Moema e no Jardim Anália Franco.

b-activeOutra marca que também é direcionada para todos os públicos, mas acaba sendo aderida pelos idosos é a grife Scene. Moletons e camisetas são seus produtos mais conhecidos e devido a variedade de cor (principalmente das cores leves em pastel), a sutileza é um dos fortes pontos para consumo.

lojas scene logo

A Tecnisa percebeu a oportunidade de investir em produtos focados nesse consumidor. Desde 2008, a construtora vem estudando as necessidades dessas pessoas e apresenta agora o seu primeiro empreendimento com características que atendem à chamada “melhor idade”.

logo-tecnisa

A Maturi não só enxergou o potencial da terceira idade, como foi além. A marca de cosméticos nasceu para atender as necessidades e os desejos destes consumidores.

Maturi cosméticosE por que não prestigiar esse público? Recentemente a marca Nissan através de uma bela campanha criou uma ação prestigiando esse perfil de público onde apresentam o momento difícil em que a terceira idade não consegue renovar sua carteira de motorista. A marca convidou idosos para se divertir dirigindo em uma pista de corrida, grande sacada.

terceira idade

 

Também recentemente a marca Toddy criou uma bela campanha (Vamos Brincar de Imaginar – Youtube) com o Toddynho onde destaca a importância da relação entre netos e avós onde a maior parte do tempo os pais estão no trabalho e quando estão em casa não se divertem tanto com seus filhos, fortalecer laços. Com isso a marca busca nos valores de família, associar a imagem do produto. Cada brincadeira, cada momento que você passa com os seus filhos vai ficar marcado para o resto da vida – é a mensagem deixada pela marca.

toddy

 

Abaixo, algumas redes e marcas preferidas por esse público:

  • Mercados preferidos: Extra, Carrefour e Pão de Açúcar.
  • Lojas preferidas: Casas Bahia, Magazine Luiza e Ponto Frio.
  • Lojas de vestuário: Renner, Lojas de bairro e Lojas americanas.
  • Farmácia: Ultrafarma, Drogasil, Drogarias de bairro.

A expansão deste mercado é favorável ainda para empresas que não atendem apenas os consumidores seniores. Atividades de lazer e bem-estar estão entre suas prioridades. Hoje, a CVC conta com 750 mil clientes com mais de 50 anos – 20% desse perfil de público aumentaram seus gastos com viagens. A expectativa é que em 2011 esse número chegue a 1,4 milhão. Somente em 2009, a operadora embarcou mais de 91 mil passageiros acima dos 60 anos, em viagens nacionais e internacionais, respondendo por aproximadamente 20% das vendas totais. Uma das opções preferidas da terceira idade são os cruzeiros marítimos, que correspondem a 60% dos pacotes comercializados para estes consumidores. De acordo com a operadora, o estilo de comportamento faz com que os clientes mais velhos sejam bons planejadores de viagens, fechando a compra do pacote com bastante antecedência e viajando com mais frequência, pelo menos uma vez ao ano.

cvc-turismo-logoEm sua grande maioria entre os homens e mulheres entram em várias lojas e passam bastante tempo observando as novidades até encontrar o que procuram – não compram com tanta impulsão quanto o público jovem, consideram ir ao supermercado um passeio:. Já a visita à farmácia é vista como obrigação pela grande maioria e as compras nesses estabelecimentos são feitas rapidamente. Outro hábito peculiar de consumo é notado quando se trata de eletrodomésticos ou eletrônicos, pois buscam esses produtos apenas quando o que está em uso quebra. Elementos com aspectos de conforto e etiquetas visíveis são importantes para todo o público da terceira idade. A fácil adequação e adaptação a serviços e produtos são fundamentais,  está aí a maior distância, barreira e desafio para as marcas – atender a e esse tipo de público. Outros fatores se destacam conforme o perfil de atitude: esse público aprecia o bom atendimento. As lojas e farmácias de bairro estão entre as preferidas da terceira idade, além de liderar entre os supermercados. As ofertas para idosos não precisam ser específica da  “terceira idade” no rótulo, e sim na sua concepção. É preciso compreender que atributos esse público valoriza e investir num mix de marketing adequado – compreender suas necessidades e anseios. Essas pessoas podem estar dispostas a investir em relações duradouras com empresas que oferecem modelos de negócios baseados em simplicidade, acesso fácil a informações, atendimento humano, letras grandes, espaço nas lojas, acessibilidade, praticidade e eficiência entre outros elementos que fazem a diferença para a “velha guarda” – cabe as marcas despertarem interesse em investir nesse segmento.  Letras grandes é fundamental, principalmente a indústria  farmacêutica deveria ter mais preocupação ao oferecer produtos para esse  segmento.  A indústria farmacêuticas deveriam aproveitar para oferecer atividades ao ar livre ligadas ao bem-estar e esporta. No setor de varejo também existe a reclamação que deveriam ter preços e letras maiores, além de ar-condicionado com temperaturas mais agradáveis. A falta de atendentes treinados para dar explicação a respeito de produtos e a sua forma de usar deixam a desejar no ponto de venda. Essa reclamação é comum também para serviços de atendimento on-line ou via telefone.  A grande maioria acreditam que sua situação econômica atual é bem melhor  hoje comparado  a juventude e por isso alegam dar mais valor à qualidade dos produtos, ainda que seja preciso pagar mais caro por isso. É um descompasso claro: esses consumidores mostram que são livres para tomar as próprias decisões de compra e que têm condições financeiras para tal, mas parte de suas demandas permanece ignorada. Cada vez mais o mercado está segmentado, e para esse perfil de cliente existe um enorme vazio que precisa ser preenchido e um caminho enorme a ser explorado, deve haver uma maior preocupação pelas marcas. Aquele esteriótipo de que o público da terceira idade é incapaz, limitados, não tem vida social e apenas dedicam suas vidas aos netos há décadas caiu por terra. Será que não vamos “envelhecer” ? Esse público que sempre têm a que nos ensinar, ainda devemos chama-los de “velhos” ? Está mais do que na hora das marcas dedicarem mais atenção para esse público que tem histórias e experiências de vida fantásticas.

 

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